Como praticar trekking na chuva...

 

... será que dá certo?


É uma delícia dormir com aquele barulhinho de chuva caindo na janela, não é mesmo?
Mas e quando chega o dia daquela trilha que você programou há meses, naquele lugar maravilhoso, e está chovendo? O que fazer? Cancela a trilha e deixa para a próxima ou vai com a cara e a coragem e faz a trilha mesmo com chuva?

Se você está lendo este artigo imagino que não seja do time que desiste, então eu vou lhe trazer algumas dicas de como trilhar em dias chuvosos de forma divertida e, principalmente, com segurança.

Vem comigo?

Antes de mais nada é preciso ter em mente que nem sempre será possível trilhar em dias chuvosos. Dependendo da região, do terreno e relevo ou do volume de chuvas que caiu nos últimos dias e que está previsto para o dia da trilha, pode ser aconselhável que não faça o passeio. Por isso é muito importante que sempre tenha o auxílio de um guia da região (de preferência credenciado em algum órgão de turismo) e acompanhe a previsão do tempo com alguns dias de antecedência para não ser pego de surpresa.

Feitas estas considerações, vamos ao que realmente interessa:

Afinal, trilhar com chuva, dá ou não dá?

Dá sim, e pode ser muito divertido!

Obviamente, trilhar em dias chuvosos não é a mesma coisa que em dias de sol, demandando de um pouco mais de experiência do grupo e, principalmente, equipamentos adequados.

Ter uma boa bota, bastões de caminhada e uma jaqueta corta-vento impermeável é fundamental para se ter um passeio seguro. Mais abaixo falaremos mais sobre cada um destes itens.

Outro ponto muito importante a se ter em mente é o local por onde iremos trilhar.
Na estação das chuvas, lugares como riachos e cachoeiras podem estar propensos às chamadas tromba d’água, que são volumes absurdos de água que descem rio abaixo em velocidades muito altas, não dando tempo para evacuar o local.

Portanto, antes de ir para estes locais, conheça muito bem a região, contrate um guia local e esteja sempre atento.


Se a escolha de uma boa bota já é importante em dias de sol, em dias chuvosos ela se torna imprescindível. Em breve teremos um artigo falando apenas sobre os tipos de calçados disponíveis no mercado para quem pratica esportes na natureza, mas, de forma resumida, os pontos a se ficar de olho na escolha de uma boa bota são o desenho do cabedal, o tipo de solado, desenho do grip, a impermeabilidade e a capacidade de respiração dos pés.
Seguindo esses pontos, você garante que não sentirá desconforto durante longas caminhadas, terá menos chances de escorregar em terrenos lisos e manterá os pés secos e livre das tão temidas bolhas.

Ter um par de bastões de caminhada adequado também é um passo gigante na segurança da trilha.
Existem vários tipos e modelos disponíveis no mercado – e também falaremos mais sobre eles em um artigo futuro – e escolher o bastão ideal para as suas caminhadas pode parecer um pouco complicado. Pensando em trilhas em dias chuvosos, é fundamental que o bastão seja capaz de suportar o seu peso, caso escorregue, sem romper.
Neste caso, os modelos mais baratos, ou de entrada, não são recomendados, podendo até mesmo ser perigosos em alguns terrenos.
O ideal é que o bastão seja leve o bastante para não incomodar e ao mesmo tempo resistente para não romper. Modelos de duralumínio costumam ter o melhor custo-benefício, uma vez que não são tão caros quanto os de fibra de carbono, porém oferecem resistência e leveza suficientes para a maioria dos cenários.

Por fim, ter uma jaqueta corta-vento impermeável vai te salvar!
É possível encontrar jaquetas para todos os gostos – e bolsos – no mercado e, assim como as botas, é preciso levar alguns pontos em consideração antes de escolher o equipamento ideal para as suas aventuras.

As fabricantes geralmente indicam a resistência à água de suas peças em “coluna d’água”. Quanto maior for o número indicado pela marca, melhor vai ser a capacidade de te proteger das intempéries, mas qualquer coisa acima de dois mil milímetros cúbicos já será suficiente para a maioria dos cenários, exceto em caso de chuvas torrenciais, mas aí voltamos ao início do texto e revemos a viabilidade de se fazer o passeio naquele dia.
Assim como nas botas, a respirabilidade da peça também está presente nas jaquetas. Isso é muito importante para garantir que a chuva não te molhe de fora para dentro ao mesmo tempo em que o seu próprio suor consegue evaporar, te mantendo seco de dentro para fora.

Mas e as capas de chuva? Também não servem para proteger da chuva?

Sim e não!

Eu explico: uma capa de chuva vai te proteger da água da chuva, porém, por não serem respiráveis, após algumas centenas de metros de caminhada o seu suor vai condensar e te molhar por dentro. Em poucos quilômetros você estará tão encharcado quanto se estivesse tomando a chuva diretamente.
Isto não quer dizer que as capas de chuva não servem para nada. Apenas não são indicadas para este tipo de atividade.

Ter uma jaqueta corta-vento impermeável vai te salvar!

Algumas marcas possuem ainda calças impermeáveis e polainas, garantindo assim que você fique totalmente seco. Eu, particularmente, não gosto das calças impermeáveis. Prefiro as que possuem tecido sintético que secam rápido, mas as polainas são muito úteis, evitando que entre água nas botas pelo tornozelo. Elas são um pouco mais difíceis de encontrar e costumam custar um pouco mais caro também, mas é um investimento que, com certeza, vai se pagar ao longo das trilhas.

Mas e a mochila? Como eu protejo a minha mochila?

Para a mochila temos três opções. A primeira, e mais simples, é proteger tudo o que não pode ser molhado no interior da mochila com sacos estanque e simplesmente deixar a mochila exposta. O lado positivo de se fazer isso é que, com certeza, o que estiver no interior d mochila não molhará. O lado negativo é que, dependendo, do material com o qual a mochila foi construída, ela absorverá água e consequentemente aumentará o seu peso.
A segunda opção, para chuvas fracas e garoa, é usar uma capa de chuva para mochilas. Elas são bem comuns, vindo inclusive acompanhando alguns modelos já de fábrica. O ponto negativo dessas capas é que as alças e o costado ficam expostos, tornando praticamente inúteis em caso de chuvas mais pesadas.
E por fim, temos o tão conhecido poncho. Ponchos conseguem cobrir todo o seu corpo, incluindo a sua mochila. Costumam ser muito leves e, também, podem servir de abrigo em caso de uma eventual emergência. O lado negativo são as laterais abertas, que ajudam na ventilação, mas também permitem a entrada de água em caso rajadas de vento.

Como pode ver, cada opção tem seus pontos positivos e negativos, cabendo a você escolher a que melhor se encaixa às suas necessidades.

Bom, tudo isto dito, acredito que já estejamos prontos para nos aventurar pelas trilhas, faça sol ou faça chuva.

Obrigado por ler até aqui. Se ficou com alguma dúvida ou queira contribuir com alguma informação, deixe um comentário no post ou nos envie um e-mail. Teremos o maior prazer em te responder.

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Um abraço e até a próxima!

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